Se você não avaliará este livro para a Plataforma Sucupira, não é masoquista e não tem curiosidade mórbida, siga em frente sem ler. Compelle exire, contrariando Jesus em Lucas 14:23. Caso vá se debruçar sobre os indicadores formais de qualidade para classificação no Qualis Livro, facilito o seu trabalho — uma mão lava a outra. Pode confiar, como Abraão um dia confiou.
"Jorge Luis Borges e Ricardo Piglia sugerem que a ficção tem um poder muito maior do que a “realidade” – do que o fato ou a ação em si – já que ela não se prende à mera imitação ou cópia, mas concebe universos e engendramentos que desvelam a lógica, a estrutura e as veredas recalcadas. Neste intricado Metafísica de carrasco, Vitor Cei nos mostra como essa ficção é capaz de transcender e elucidar uma realidade que foi vivida e encarada de forma paradoxal por grupos extremistas.
Como diz a canção, “a história se repete, mas a força deixa a história mal contada”. Nesta prosa experimental de estreia, Vitor Cei desdiz a fórmula ao distopizar e repisar a história brasileira recente para reescrevê-la a contrapelo (des)patologizando-a, decriptando seus segredos mais atrozes. Em tempos de posse de armas e de políticas de inimizade, Cei desengana as apostas do jogo munindo-se de um riso sarcástico-dialético-nietzschiano-machadiano.
Friedrich Nietzsche, em Crepúsculo dos Ídolos (VI, §7), avaliou a história da filosofia ocidental como uma metafísica de carrasco, que interpreta a existência a partir das categorias de culpa e expiação da culpa, o que teria transformado o mundo em um vale de lágrimas promovido por “teólogos que continuam a infectar a inocência do vir-a-ser com noções de ‘punição’ e ‘culpa’, a partir do conceito de ‘ordem moral do mundo’”. O Cristianismo, escreve Nietzsche, é “uma metafísica de carrasco”.
A professora Andréia Delmaschio (IFES), que é escritora e vencedora do V Prêmio UFES de Literatura com o romance Ai de ti, Camburi, estará conosco na próxima segunda-feira para uma roda de conversa sobre sua obra literária.
Na manhã do dia 27 de agosto, apenas dois dias após a finalização da montagem, parte significativa de uma exposição organizada por estudantes do curso de Letras-Inglês da Ufes foi depredada e removida.
A Comissão Interna para análise das inscrições para indicação pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Espírito Santo ao Prêmio Capes de Teses, edição 2024 (teses defendidas em 2023), decidiu, à unanimidade, indicar a tese de Weverson Dadalto, intitulada "Violência e autoritarismo na literatura testemunhal de Bernardo Kucinski", defendida em 03 de julho de 2023, sob orientação da Prof.ª Dr.ª Fabíola Padilha Simão Trefzger.